Escrete canarinho, pagando miquinho….
É sempre assim…a nossa seleção vive de altos e baixos.
Apesar da vitória contra o Uruguai, nós estamos em crise com o nosso principal time de futebol.
Nós sempre tivemos os melhores jogadores do mundo, mas foram raras as vezes que conseguimos fazer o melhor time. Como é possível? São várias as razões…
Raramente temos uma situação de unanimidade. Para ser preciso, atualmente o time possui duas ou três situações assim (isolando as paixões clubísticas ou as neuroses inter-estaduais).
1) Juan: há muito tempo não temos um zagueiro em uma forma tão exuberante.
2) Kaká: apesar de alternar bons e maus momentos, ele é sempre uma esperança de boas jogadas e de gols. É titular absoluto.
3) Maicon: é uma zebra usando a camisa dois da seleção (essa eu realmente tenho certeza que é uma unanimidade).
Fazendo uma retrospectiva depois do desastre da Copa passada, o time não se achou em praticamente nenhum momento.
Dunga assumiu em agosto do ano passado e prometeu uma grande renovação no time. No começo ele até fez essa renovação, de uma forma meio atrapalhada, convocando alguns jogadores “esquisitos”, como: Helton e Gomes (goleiros), Naldo (zagueiro), Adriano Claro (lateral esquerdo), Fernando (meio campo), Daniel Alves, Afonso e Jô (atacantes). Além desses nomes duvidosos, ele fez questão de botar os medalhões (Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e outros) no banco durante alguns jogos. Constrangimento necessário.
Mas isso não durou muito.
Foram 14 amistosos com 10 vitórias, 3 empates e 1 derrota. Na Copa América foram 4 vitórias e 1 empate e 1 derrota (fomos campeões). Nas eliminatórias foram 4 jogos, com duas vitórias e dois empates.
Olhando assim, nem parece ruim. Na verdade os resultados não são ruins mesmo (com exceção da campanha mais recente na Eliminatórias com dois empates inaceitáveis com Peru e Colômbia). O Brasil teve alguns resultados importantes para que Dunga tivesse mais estabilidade, como duas vitórias acachapantes sobre a Argentina – uma delas na final da Copa America – sempre com o mesmo placar de 3 a 0. Um outro jogo bem importante, quando o caldo estava começando a entornar para o nosso treinador foi o 5 a 0 sobre o Equador no Maracanã lotado – em um jogo que estava bem complicado no primeiro tempo.
O problema é que salvo esses jogos contra a Argentina e o segundo tempo do jogo contra o Equador, a Seleção não jogou bem. Não estou nem falando de futebol espetáculo. A grande cagada é que o time não tem boas jogadas e para piorar, tem metade do time que joga apenas pelo nome.
Robinho fez uma Copa América decente. Ronaldinho Gaúcho não acerta nada – e ainda amarra o jogo todo. O (capitão) Gilberto Silva erra TODOS os passes que tenta. Maicon…bom…deixa pra lá. Gilberto também vai muito mal.
Na minha concepção, temos 5 jogadores que podem ser considerados titulares: Julio Cesar, Juan, Lucio, Kaká e (depois do jogo dessa semana contra o Uruguai) Luis Fabiano.
Eu gostaria muito de ver o Juninho Pernambucano nesse time. Ele é o melhor volante do futebol brasileiro há muito tempo. Está sobrando no campeonato francês, e certamente joga por mais 2 anos (até a próxima Copa). Seria um integrante importantíssimo do que os técnicos chamam de “espinha dorsal” do time. Além de praticamente não errar passes, teríamos uma excelente opção para faltas e escanteios.
Acho que temos jogadores de valor no Campeonato Brasileiro. Se é para renovar mesmo, é melhor trazer quem está com muita vontade de conseguir algo mais na carreira. A reserva do Julio Cesar não é para o Doni e sim para o Felipe (Corínthians) ou Bruno (Flamengo). Para a lateral direita, eu convocaria o Leo Moura. Na zaga, acho o Thiago Silva (Flu) e o Miranda (São Paulo) bem melhores que os dois reservas. Para a cabeça de área, além do Pernambucano, tem o Richarlyson bambi ou o Hernanes também do São Paulo. Não abriria mão do Elano nem do Josué. No meio campo, tem espaço para Ibson (Fla), Zé Roberto (Bayern), Caio (Palmeiras). Também gostaria de ver o time jogando com três atacantes (como faz a Argentina). E lá no ataque tem gente que merece a oportunidade: Dagoberto, Nilmar e Leandro Amaral são dois exemplos claros. Além do Fenômeno, que parece estar novamente motivado e o Pato que precisa começar a ser convocado – para ir ganhando experiência. Por favor…chega de Ronaldinho Gaúcho!
De qualquer forma, o teste de fogo de Dunga será nas Olimpíadas.
Se o Brasil for campeão em Pequim, ele provavelmente irá até a Copa. Se perder, vai ser difícil se manter. E a lista de pretendentes para o lugar dele é meio óbvia: Wanderley Luxemburgo, Luiz Felipe Scolari e – correndo por fora – Muricy Ramalho.


