Radiohead: quanto vale o show?
Meu amigo Riba é fã incondicional do Radiohead. No nosso último almoço, ele defendeu com unhas e dentes que essa é a maior banda do planeta.
Eu não concordei com ele, mas sempre respeito muito as suas opiniões. Ele é um cara muito antenado e conceitual, quando o assunto é rock. Acho que eu sou bem menos “conceitual” que ele, porque gosto de umas coisas que ele tem vontade de vomitar.
Mas a vida é assim. Cada um tem a sua opinião…
Voltando ao Radiohead, devo confessar que apesar de eu gostar moderadamente em termos musicais, eu venho cada vez mais admirando a postura de Thom Yorke e sua turma.
Eles acabam de lançar o seu novo disco de uma forma muito inusitada.
“In Rainbows” custa quanto o consumidor quiser pagar. É isso mesmo. Vou escrever de novo: o disco custa quanto você quiser. É só ir ao site http://www.inrainbows.com, passar o cartão de crédito e definir um valor qualquer para ter acesso ao download das 10 faixas sem o tal de “DRM”, que é a proteção para gravação / execução das músicas.
É simples assim.
Eles também irão vender pelo site edições limitadas em vinil e em CD, com faixas extras e encarte especial, e mesmo uma caixa com capa dura reunindo farto material que custa 40 libras.
As lojas só receberão os discos em 2008.
Abre-se assim um enorme precedente onde a banda começa a estabelecer uma relação comercial com os seus fãs, independente das gravadoras ou mesmo das lojas de discos.
Eu nunca estive tão convicto que esse é o caminho do futuro para a música. Até é verdade que a pirataria pode continuar acontecendo, mas para que? Por que não pagar um valor justo pelas músicas, de acordo com o que o consumidor acha. Nem é preciso que seja muito. O valor aqui é arbitrário e pessoal.
Isso é o que eu chamo de revolução.



