A Elite da Tropa de Elite

Posted on Outubro 13, 2007. Filed under: O armário do Fred Flinstone, Papo Cabeça |

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Finalmente assisti Tropa de Elite.

Passei esses últimos meses, resistindo à tentação de ver a versão pirata (que acho que não passou de uma boa estratégia de marketing), porque eu queria muito ver esse filme no cinema.

Não me arrependi nem um pouco. O filme é brilhante: é elucidativo e inspirador ao mesmo tempo. Sem entrar em detalhes, para não prejudicar quem eventualmente ainda não tenha visto a obra de José Padilha, dois pontos são cruciais na trama:

1)      A corrupção e o despreparo da polícia é o grande câncer no combate ao crime. Uma pequena minoria não se submete à mediocridade proeminente da força. O BOPE é um exemplo de uma milícia preparada para enfrentar o que for preciso. Independente dos métodos, que incluem torturas e práticas pouco ortodoxas, o resultado é evidente no confronto com o crime organizado. Precisamos desenvolver, equipar e estimular o crescimento do BOPE. Eu adoraria que uma parte da fortuna que sou cobrado pelo Governo em forma de impostos, fosse direcionada a isso.

2)      O óbvio ululante: é preciso avaliar urgentemente a descriminalização da maconha. Esse é o principal gênero de poder do crime organizado, porque a demanda existe – e por uma simples regra de mercado – isso faz com que os bandidos ganhem poder, por dominarem inteiramente a oferta e a distribuição. Apesar de esse assunto ser controverso, eu realmente acredito que essa seja uma questão central no trabalho de choque à violência.

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Outro aspecto fundamental de Tropa de Elite é o botar os bandidos na posição em que eles devem estar. Bandido é bandido. Polícia é polícia. Se tem uma coisa que sempre me torturou nesses filmes é a glamurização da bandidagem. É sempre assim: o bandido é posto como um coitado excluído social, que não tem oportunidade na vida e por isso bla-bla-bla…

Os antropólogos que me desculpem, mas não há mais espaço para filmes como Carandiru e essas minisséries insuportáveis da Rede Globo. Diria até que “Cidade de Deus” faz parte dessa mesma laia. Ver assassinos com tratamento de estrelas é o fim da picada, inclusive nos noticiários. Isso é intolerável e Tropa de Elite finalmente dá um belo passo na direção certa.

Só para não descarar o meu lado mais reacionário e subversivo, eu concordo que o problema da violência também passa por uma série de ações sociais. Educação é o princípio básico para que moradores de áreas mais pobres possam ter outras oportunidades na vida. Saneamento básico e projetos de inclusão social que valorizem os indivíduos são indispensáveis. Mas o crime organizado precisa ser combatido.

O Governo é propositalmente omisso em não regularizar as favelas. Não apenas pela questão financeira de desenvolvimento de grandes projetos de urbanização, mas isso é uma forma de tapar o sol com a peneira, mantendo índices aceitáveis de desenvolvimento humano – que influenciam os índices que regulam a saúde econômica do país.

Enfim, o filme Tropa de Elite põe o dedo na ferida, quando mostra que determinados problemas precisam ser enfrentados – não tangenciados. Dá dó de ver uma cidade como o Rio de Janeiro sendo palco dessa verdadeira desgraça, dessa guerra civil. Infelizmente – há um bom tempo – a minha cidade não é mais maravilhosa. O Rio está doente, triste. Mas é claro que tem salvação e o Bope tem o antídoto.

Já estou com o livro Elite da Tropa, que deu origem ao filme. Voltarei a escrever sobre o assunto aqui no Bullshitando.

Salve o BOPE…e faca na caveira!!

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