Bandas (in)dependentes do Brasil
Hoje estive com meu grande amigo Leandro Knopfholz, que é um dos produtores de espetáculos mais competentes e honestos que eu conheço. Tivemos uma reunião na AMBEV, onde ele está desenvolvendo um projeto muito interessante. Mas não é sobre isso que eu vou falar aqui, até mesmo porque ainda é um assunto sigiloso.
Depois da nossa reunião, atravessamos a Rua Dr. Renato Paes de Barros para comer um sanduíche de Carpaccio e conversar um pouco – coisa que a gente não tem feito com a freqüência que eu gostaria.
O Londrex foi convidado para ser o empresário e representante oficial de uma banda (que eu preciso omitir o nome, para ser ético) e ele queria saber a minha opinião: se isso era um bom negócio ou não.
Para quem é leitor do Bullshitando, é meio óbvio saber o quanto eu sou próximo a esse assunto. Já estive nessa posição em que ele está avaliando agora – e parte dessa história, eu já contei em cinco capítulos aqui (a história do SETE).
Bom…mas voltando ao assunto do Leandro. A tal banda que convidou ele até é uma banda bacana. Eles já possuem certa reputação na cena independente e não são moleques de 18 anos montando mais um projeto xexelento de “emocore”.
A minha opinião honesta sobre isso é que nos dias de hoje, a possibilidade de fazer de uma banda de rock um bom negócio, é praticamente nula. É bem verdade que existe prazer em determinadas conquistas pelo caminho, mas definitivamente o prazer não é financeiro (muito pelo contrário).
A fotografia que eu enxergo é mais ou menos assim…
As gravadoras quebraram. As melhores rádios de rock quebraram. Ninguém mais compra CD. A relação da internet com a nova música brasileira é muito mais como uma gigantesca “cauda longa” que fragmenta o público. Exceção feita aos emos NXZero e Fresno, que são fenômenos provenientes do mundo online – e estão fazendo algum sucesso com a garotada de norte a sul do Brasil.
É uma constatação triste, mas o último sucesso de rock no Brasil desde o começo dos anos 2000, foi a Pitty. Aí o Leandro provocou: “é porque o rock está fora de moda”.
Eu não posso concordar com isso. O que eu realmente acho é que falta conteúdo de bom nível e – principalmente – boas oportunidades. Aquelas poucas bandas que chegam a “furar” a superfície do manistream, não possuem força suficiente para construir uma mensagem consistente. Tem muito factóide…
Qual banda tem potencial para fazer frente a um Paralamas, a um Lobão, Kid Abelha, Capital Inicial, Ultraje a Rigor, Legião Urbana, RPM, Titãs, Barão Vermelho – ou qualquer uma dessas bandas do BRock oitentista? Não há um movimento, não há aglutinação, não há uma porra de razão.
Salvo algumas exceções, como o Jota Quest, O Rappa e Skank, as maiores bandas de pop rock do Brasil saíram de movimentos populares e o rock atual é feito para uma minoria. Essa palhaçada de ser uma banda indie é muito bacana na Inglaterra. Aqui é uma cagada olímpica, porque neguinho morre de fome. O rock aqui não é independente, ele é 100% dependente.
É preciso aparecer uma causa que reúna público e bandas. Precisamos de um novo Clube da Esquina, de uma Tropicália, de uma Jovem Guarda. Precisamos de um movimento artístico mais generoso, menos refratário – que tenha a capacidade de revelar novos talentos do rock para o público.
Eu realmente acredito que existe um caminho. Mas para isso sair da filosofia, precisamos de bons produtores como o Leandro. Precisamos de gente que tenha a capacidade de não só enxergar esse caminho, mas de pavimentar esse caminho, criando proximidade com a mídia de massa (e não de segmento), gerando interesse de empresas patrocinadoras e casas de espetáculo.
Acho que o Leandro deve ter entendido mais ou menos o que eu quis dizer. Ou não…



Oi! meu nome é Sérgio Salvia Coelho e estou precisando urgente falar com o Leandro sobre o Fuerza Bruta. poderia passar meu contato para ele? teleco20022uol.com.br. Obrigado.
sergio salvia coelho
Outubro 23, 2007