Eu sou ZICO até morrer…
Eu sou Flamengo e tenho razões concretas para isso.
A primeira delas é o meu pai, que não deu nenhuma brecha para que eu pensasse em alguma outra hipótese na minha infância. Isso faz toda diferença e eu repito essa dose com minha filha Gabriela.
Fui batizado com o manto sagrado, pelo Padre Bessa – rubro negro e apesar de ter saído do RJ quando tinha quatro anos e só ter voltado com oito anos, eu acompanhava o Flamengo através do jornal, rádio e televisão, observando a vibração do meu velho a cada gol, a cada vitória.
Tinha uma turma de amigos e a gente gostava de andar fantasiado. Eu tinha um monte de fantasias: Batman, Zorro, Steve Austin (o homem de 6 milhões de dólares) e algumas outras. A minha preferida, sem dúvida, era a fantasia de Zico.
No final de 1979, voltamos a morar no Rio de Janeiro.
Com oito para nove anos, eu era um rubro-negro fanático, que saía no tapa durante o recreio da escola por causa do meu time. E a minha paixão aumentava a cada domingo que eu ia ao Maracanã torcer pelo Mengão com meu pai ou com meu padrinho – ou com os dois.
Um pouco depois do título do Brasileiro de 1980, eu comecei a jogar futebol de salão na Gávea. E daí veio a segunda grande razão para ser ainda mais rubro-negro: pude conhecer os meus maiores ídolos.
Eu vivia abelhando os jogadores do time profissional. Quando acabava o treino, eu e meus amigos pulávamos o alambrado e íamos atrás dos autógrafos e de algum contato com Zico, Adílio, Carpeggiani, Leandro, Cantarelli, Raul, Júnior, Andrade, entre outros. Eu levei muito cascudo do repórter Raul Quadros, porque durante as entrevistas ficava pulando atrás dos jogadores para aparecer no Globo Esporte, uma hora mais tarde.
Minha relação com o Flamengo durante os anos oitenta foi de devoção total. E o time dava total razão para isso, porque ganhava tudo que via pela frente. Era covardia com os (poucos) moleques que torciam por outros times, porque faltavam argumentos para eles. Ser Flamengo era muito mais bacana e era ridiculamente fácil tirar onda com os vascaínos, botafoguenses e tricolores.
Raul, Leandro, Figueiredo (ou Marinho), Mozer e Junior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico: ter esses caras do meu lado, definitivamente representava estar com a razão na maior parte das vezes.
Ter sido Campeão das Américas e depois do Mundo, foi uma sensação inesquecível e a maior lição de que as coisas que sonhamos podem ser viáveis, com talento e obstinação.
Lembro muito bem das finais da Libertadores, da guerra contra o Cobreloa e da magia em torno de um time simplesmente perfeito, que ganhou na bola e na porrada. Depois vencemos os arrogantes ingleses do Liverpool, que eram os campeões europeus. E precisamos apenas de 45 minutos para que fôssemos confirmados como os melhores do mundo.
Mas a maior razão de eu ser Flamengo tem quatro letras: ZICO.
Zico não foi apenas o maior jogador da história do Flamengo, ele foi o maior exemplo de dedicação, perseverança, caráter e de resultados que um jogador pode ter com um clube. A identificação entre Zico e Flamengo é absoluta. Um é sinônimo do outro.
A minha admiração por ele é infinita. Se o Flamengo é a minha religião, Zico é o Deus em que eu acredito – e tive o prazer de vê-lo fazer muitos gols, de todas as formas. Vi Zico liderar times fantásticos. Vi inúmeras vitórias, muitas taças. A vibração da arquibancada que tremia quando gritava “ZI-CO” antes das faltas, é algo que eu guardarei na minha memória e no meu coração para sempre.
Os títulos de 1982 (contra o Grêmio) e 1983 (contra o Santos) foram sensacionais. Zico era protagonista de praticamente todas as jogadas do time. Fui ao Maracanã nas duas decisões. O título de 1983 com um chocolate de 3 a 0 sobre o Santos foi duplamente inesquecível, porque aquele também foi o jogo de despedida de Zico – vendido pelo inescrupuloso Antonio Augusto Dunshee de Abranches por um punhado de dólares para o pequeno Udinese da Itália.
Se Zico foi a maior razão para que eu fosse Flamengo, foi o motivo para que durante quase 2 anos eu fosse rubro-negro pela metade e passasse (de verdade) a torcer para o Udinese. Os jogos passavam no domingo de manhã e o Fantástico sempre dava importância a Zico, que foi vice-artilheiro do campeonato italiano, atrás do francês Michel Platini, da Juventus.
O Flamengo continuava tendo um bom time, mas perdemos o brilho. Deixamos de ser praticamente imbatíveis e passamos a ser coadjuvantes na medida em que fomos perdendo os nossos maiores craques. Entre 1983 e 1984, perdemos nada mais, nada menos que Zico e Junior – os dois maiores jogadores da história do clube – para o futebol italiano.
Mas o galinho voltou no final de 1985 e tudo ia muito bem até que o zagueiro Marcio Rossini do Bangu quase amputou a sua perna esquerda em um lance criminoso. Zico ficou fora dos gramados por quase um ano. Ele voltou aos gramados um mês antes da fatídica Copa de 1986.
Lembro de um comentário do genial João Saldanha em 1986, depois de um amistoso em que jogando pela seleção, Zico arruinou a Iugoslávia. Era mais ou menos o seguinte: “ainda bem que o nome dele é Zico. Por isso o jogo ficou fácil para o Brasil. Se ele se chamasse Zicovic, certamente estaríamos agora amargando uma derrota”. Veja o gol de placa que ele fez nesse jogo.
Em 1987, o Flamengo ganhou o seu quarto título nacional com um time de encher os olhos. Essa foi praticamente a despedida de três dos principais jogadores da época de ouro do Flamengo – que começara 10 anos antes: Zico, Leandro e Andrade. O time ainda tinha nomes como Jorginho, Aldair, Renato Gaúcho, Leonardo, Bebeto e Zinho. Zico sofria com o joelho, mas fez gols sensacionais, deu passes decisivos e foi o capitão do time tetracampeão.
Seu jogo de despedida em fevereiro de 1990, no Maracanã lotado foi um dos momentos de maior tristeza que eu pude experimentar. Lembro da musica de Moraes Moreira que indagava: “e agora como é que eu fico nas tardes de domingo sem Zico no Maracanã?”. Na real, eu nunca achei resposta para essa pergunta.
O que Zico fez pela nação ninguém poderá apagar, nem os cartolas incompetentes que foram sistematicamente quebrando o meu Flamengo. Gente do mau, que por décadas usou o indevidamente o time de maior torcida do mundo – e que conseguiu a “proeza” de inverter a posição do Flamengo em campeonatos. Se antes brigávamos pelo Campeonato em todos os anos, já se vai um tempo que o time briga para não cair.
A sensação de impotência é uma merda. Mas acredito que a solução esteja na força dos nossos ídolos. Precisamos novamente de Zico, agora como presidente – e precisamos da nossa gigantesca torcida para botar o Flamengo onde nunca deveria ter saído.
Há muito que ser feito pelo o Flamengo. Voltarei a falar sobre isso aqui no Bullshitando.







Prezados,
Na verdade não foi o Márcio Rossini que acertou o Zico. O jogador que acertou a perna do Zico foi o Márcio Nunes. Ambos os Márcios jogaram no Bangu. Veja que em 1989 o Márcio Rossini foi jogar no Flamengo junto com o Zico.
Abraço.
Walter
Fevereiro 27, 2008
Quem quase amputou a perna do zico foi um tal de Márcio Nunes e não o ex-zagueiro Márcio Rossini, que jogou, entre outros clubes, no própio Flamengo.
Rômulo
Março 12, 2008
Cara, adorei essa página, serei freqüente dela!!!
Sou FLAMENGUISTA fanático, tenho 19 anos, portanto ñ vi o nosso DEUS jogar no MENGÃO… Mas levo cmg o nome dele… Quer dizer, nome e apelido…
Nome: ARTHUR
Apelido: ZICO
E me orgulho absurdamente por isso!!!
Grande abraço…
ZicoMurakami
Arthur
Junho 27, 2008